A importância que nossos Aliados tem para os nossos negócios.

Helena ocupava uma posição de destaque naquela empresa e já era uma das mais importantes gestoras com presença permanente no COMEX (Comitê Executivo) do Grupo. Nos últimos meses o mesmo assunto vinha incomodando os 3 executivos que formavam o COMEX: desligamentos voluntários de pessoas recém contratadas

Nada, aparentemente, justificava a saída daqueles profissionais que vinham sendo (alguns) excelentes líderes. Os salários praticados estavam acima da média de mercado,o ambiente de trabalho (em todas as unidades) era harmonioso, os benefícios… atrativos. O que estaria ocorrendo?

Responsável pela sua Unidade de Negócios, Helena tentava descobrir o motivo daquela “debandada” de competentes colaboradores e não encontrava respostas dentro daquele ambiente profissional. Resolveu relaxar e em um domingo ensolarado, ao sair com seus filhos (um casal de adolescentes) para tomar um sorvete em um shopping, a solução lhe veio como uma lufada de vento de verão. Ao perguntar aos dois aonde eles queriam ir a resposta veio imediata:

“naquela sorveteria lá do 1º piso não… lá é um saco, tem nada a ver com a gente. Bora lá na praça de alimentação naquela que abriu semana passada. Tudo a ver!”

Curiosa com o “tudo a ver” Helena leva os dois para a sorveteria nova. O local era pequeno, mal decorado, o sorvete era de péssima qualidade… mas estava repleto de adolescentes consumindo tudo que se vendia por lá. De boca aberta com aquela realidade ela encostou na parede para tentar descobrir o segredo de tanta adesão voluntária. Em segundos percebeu que o que importava, ali, não era o sorvete, mas sim a maneira de ser daquela sorveteria.

Os donos / proprietários estavam ali. Eram três jovens (ainda menores de idade) que tiveram apoio dos pais para empreender aquele negócio. Eles falavam a mesma linguagem dos jovens, se vestiam como eles, curtiam as mesmas coisas que eles, eram os atendentes… ERAM ELES!

Helena teve um choque… compreendeu que estava vendo uma verdadeira reunião de ALIADOS: pessoas que não necessariamente são amigas ou se conhecem, mas que compartilham das mesmas CRENÇAS, dos mesmos VALORES e das mesmas DORES.

Teve um impulso nervoso. Desejou ir para o escritório e convocar imediatamente uma reunião do COMEX para expor suas idéias… mas era domingo, e teve de suportar a ansiedade executiva até o início da semana seguinte. Os dias que seguiram foram mágicos para o Comitê Executivo. Em reuniões frenéticas eles identificaram que o problema que vinha ocorrendo era o de “ausência de aderência das pessoas aos VALORES do Grupo” e tudo começou a ficar mais claro.

Passaram a divulgar os Valores, A Visão e a Missão da empresa de uma maneira ostensiva e a procurar profissionais que tivessem as mesmas “Bússolas Morais” do Grupo.

Os processos de contratação passaram a revelar muito mais elementos do que simples informações curriculares. Os candidatos foram convocados a participar de entrevistas (individuais ou coletivas) em que foram observadas (em primeiro lugar) características sobre personalidade e VALORES PESSOAIS.

Mais do que averiguar o talento e a capacidade dos candidatos a empresa passou a considerar como estratégia o maior número possível de “pontos de contato” entre a mentalidade dos candidatos e os valores, objetivos e o modelo de trabalho da empresa.

Encontrar a conexão entre a cultura da empresa e o potencial dos funcionários foi uma tarefa simples e tudo dependeu do nível de consolidação da missão, valores e objetivos. Por isso passaram a ficar atentos à necessidade de edificar a empresa sobre um terreno sólido e estável e expressaram seus anseios com honestidade. Aquilo também ajudou a manter a franqueza com os candidatos no momento da contratação.

Recentemente, em uma reunião do COMEX, os números foram estonteantes: ninguém havia pedido demissão e a proporção de candidatos por vaga oferecida era elevada.

Na verdade Helena (e os demais executivos) entendeu que não eram candidatos que batiam à porta da empresa… eram ALIADOS que queriam ingressar no Grupo! 

Ao término da reunião os participantes do Comitê Executivo tomaram um sorvete que Helena levou para a reunião. Ninguém entendeu quando ela, sorridente, comentou sobre o que estava acontecendo na empresa: “É… tudo a ver“

Jorge Pinheiro

Especialista em Mapeamento de Poder e Consultor Sênior da Qualitá RH e Attua Gente e Gestão

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